“Foi-se o tempo em que ainda pequenos podíamos brincar nas ruas, ir às casas da vizinhança ou comprar pão na padaria da esquina sozinhos. Foi-se o tempo em que podíamos confiar em estranhos que nos ofereciam balas ou nos perder na praia, pedindo ajuda a qualquer adulto a nossa volta. Foi-se o tempo em que já grandes, podíamos andar pelas ruas fazendo a nossa digestão do jantar. Ou que podíamos colocar nossas cadeiras na calçada e jogar conversa fora com os passantes. Ou apenas andar com os vidros dos carros abertos...Foi-se o tempo em que as coisas eram mais simples e os ladrões eram apenas maus. Ou que acreditávamos, talvez de forma inocente, que eles transitavam em locais distantes e que havia pessoas de bem governando nosso país”. Mara Mourão, cineasta
“Foi-se o tempo em que acreditávamos que o mundo acabava, ao invés de acabar com ele; foi-se o tempo em que não tercerizávamos nossas relações, ao invés de cultivá-las; foi-se o tempo em que tínhamos de conviver com características físicas que não gostávamos, ao invés de escolher a cor dos olhos, o tamanho do nariz, dos seios...Foi-se o tempo em que não tínhamos medo de correr riscos, enquanto hoje nos enclausuramos com ele, cultivando doenças modernas como estilo de vida”. Wellington Nogueira, fundador dos Doutores da Alegria.
“Foi-se o tempo em que o verde da bandeira representava nossas matas. Hoje há o cinza da devastação”. Heródoto Barbeiro, radialista.
Foi-se o tempo em que podíamos usar a expressão “fim do mundo” como uma coisa longínqua, resultado da explosão solar ou de acordo com descrições de profecias. Agora o fim do mundo está próximo e é resultado da nossa ambição, da nossa alienação, da nossa ignorância. Foi-se o tempo em que as crianças tinham infância longa e começavam a sofrer com a realidade mais tarde. A adolescência está chegando muito depressa e fala-se por aí até em ‘stress infantil’. Foi-se o tempo em que acreditávamos que democracia era o ‘governo do povo, pelo povo e para o povo’. Foi-se o tempo em que os estudantes pintavam as caras e saíam de suas vidas alienadas para irem às ruas protestar. Foi-se o tempo em que os estudantes se interessavam por algum assunto relacionado à sociedade. Aliás, foi-se o tempo em que algumas pessoas ainda preocupavam-se com assuntos que não fizessem parte de suas próprias vidinhas. Foi-se o tempo em que crimes hediondos não faziam parte do noticiário todos os dias. Foi-se o tempo em que tínhamos medo da guerra, que parecia distante. Hoje, ela está em toda parte. Foi-se o tempo em que o Rio de Janeiro era mais conhecido por sua beleza do que pela violência.
Cuidem do mundo. Meu filho (a) vem aí para viver nele.
Bárbara
Escrito por Bárbara às 14h00
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